Auditoria do governo identifica irregularidades em contrato do Poupatempo no RJ

Auditoria do governo identifica irregularidades em contrato do Poupatempo no RJ

Uma auditoria interna do governo do Estado do Rio de Janeiro no contrato firmado com o consórcio que administra as unidades do Programa Poupatempo RJ identificou uma série de irregularidades na contabilização e no pagamento dos serviços prestados aos cidadãos fluminenses. O contrato analisado foi firmado no ano de 2023 com o Consórcio Central da Cidadania, que administra as unidades de Bangu, Duque de Caxias e São João de Meriti do Poupatempo RJ.

De acordo com o relatório da auditoria, foram constatadas divergências graves entre os quantitativos de atendimentos apresentados pelo consórcio e os números efetivamente comprovados pelos órgãos parceiros do programa, como Detran, Secretaria de Estado de Educação, Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor, entre outros. Em alguns casos, o consórcio registrou centenas de milhares de atendimentos a mais do que os órgãos do governo do Rio conseguem comprovar em seus próprios sistemas.

Apenas no mês de junho de 2026, por exemplo, o consórcio declarou ter realizado 845.086 atendimentos, enquanto os órgãos estaduais validaram apenas 261.783. O contrato firmado prevê o pagamento de R$ 24,20 por atendimento. Com isso, a diferença entre os valores cobrados e os efetivamente pagos, somente em junho, é da ordem de R$ 15 milhões.

A auditoria também apontou que o consórcio incluiu na cobrança serviços que não podem ser contabilizados para fins de pagamento, como atividades de triagem, orientações informais, cópias de documentações, fotografias e consultas que não foram registradas nos sistemas.

Também foram identificadas divergências em serviços que dependem de confirmação dos órgãos parceiros, como a entrega de carteiras de identidade e de habilitação, que não podem ser medidas apenas pela emissão do documento, mas sim pela efetiva retirada pelo cidadão. Segundo o relatório, não havia qualquer identificação das pessoas atendidas nominalmente ou com o número do CPF até o mês de maio de 2026, quando o governo exigiu que os dados constassem nos relatórios.

Após a conclusão da auditoria, o governo realizou, nesta semana, o pagamento de R$ 14 milhões (valor bruto) ao consórcio. As cifras são referentes a 2/3 dos valores mínimos contratuais em aberto dos meses de maio e junho (das três unidades), além do pagamento dos valores de abril da unidade de Duque de Caxias. O outro terço do pagamento foi retido pelo Governo do Rio para descontar o prejuízo verificado ao longo de toda a contratação e pelo valor ser considerado lucro do consórcio.

O consórcio, por sua vez, notificou o governo na quinta-feira (10/09), exigindo o pagamento dos valores a que afirmam ter direito em um prazo de cinco dias, sob a ameaça de paralisação dos serviços.

Próximas ações

A auditoria do governo do Rio, sob a gestão interina do desembargador Ricardo Couto, será encaminhada ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) para que os órgãos de controle possam adotar as providências cabíveis.

Para impedir uma eventual paralisação do serviço, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) vai judicializar o caso. A PGE ainda irá analisar a cobrança de valores que foram indevidamente pagos pelo Estado anteriormente.

O governo explica que "adotará todas as providências necessárias para garantir a continuidade do atendimento à população, sem abrir mão da legalidade e da responsabilidade fiscal".

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