02 de Novembro de 2026
Por Martha Imenes
Ao mesmo tempo, uma pequena parcela da população concentra uma fatia significativa da renda nacional. Embora o IBGE não adote uma classificação oficial para definir ricos, super-ricos ou classe média, estudos da FGV Social e de outras instituições apontam que apenas 1% dos brasileiros podem ser enquadrados na categoria dos chamados super-ricos.
Os dados mostram que o país possui cerca de 156 milhões de pessoas acima da linha da pobreza, mas grande parte delas está concentrada nas faixas de renda média e baixa, com 7,4 milhōes e 49 milhōes de pessoas.
Especialistas apontam que o avanço da renda e dos programas sociais nos últimos anos contribuiu para a redução da pobreza e para a retirada do Brasil do Mapa da Fome da ONU, conforme balanços oficiais do governo.
A classificação mais utilizada pelos pesquisadores é a da FGV Social, que divide a população por faixas de renda domiciliar. Famílias com renda superior a R$ 14.191 por mês são enquadradas na Classe A, grupo formado por magistrados, procuradores, médicos especialistas, executivos e empresários bem-sucedidos.
Acima dessa faixa, porém, está um grupo ainda mais seleto: o dos super-ricos. Embora a categoria não seja oficial, ela é utilizada em estudos sobre desigualdade para identificar o 1% mais rico da população brasileira. Dados do IBGE indicam que esse grupo possui renda domiciliar per capita superior a R$ 15.214 por mês. Em uma família com quatro pessoas, isso representa renda superior a R$ 60 mil mensais.
Nessa camada estão bilionários, grandes empresários, controladores de bancos e indústrias, herdeiros de grandes fortunas, gestores de fundos de investimento e sócios de grandes escritórios de advocacia e consultoria.
Segundo a FGV Social, a maior parte dos brasileiros pertence à classe média. A Classe C reúne famílias com renda entre R$ 2.525 e R$ 10.885 por mês e representa cerca de 61% da população. Nesse grupo estão professores, técnicos de enfermagem, motoristas profissionais, policiais, pequenos comerciantes e trabalhadores administrativos.
As classes D e E, consideradas de baixa renda, somam 21,8% dos brasileiros. São famílias com renda de até R$ 2.525 mensais, onde predominam trabalhadores informais, auxiliares de serviços gerais, empregados domésticos, serventes de obras e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Já as classes A e B representam apenas 17,2% da população.
A concentração de renda no topo da pirâmide motivou a divulgação de um manifesto assinado por 50 economistas e especialistas. O grupo defende que o governo priorize a tributação das altas rendas em vez de ampliar cortes em programas sociais para conter o crescimento da dívida pública.
O documento propõe antecipar a cobrança de um imposto mínimo sobre rendimentos acima de R$ 600 mil por ano, ampliar a tributação sobre dividendos e rever benefícios fiscais considerados excessivos. Os signatários argumentam que o ajuste fiscal não deve recair sobre áreas como saúde, educação e assistência social.
Os economistas também afirmam que o principal fator de crescimento da dívida pública é o elevado custo dos juros pagos pelo governo. Segundo dados citados no manifesto, as despesas com juros superaram R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses, equivalente a cerca de 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Entre os signatários estão os professores Pedro Paulo Zahluth Bastos, Simone Deos, Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, Alfredo Saad Filho e Juliane Furno, que defendem uma política econômica voltada para a redução das desigualdades sociais e o fortalecimento dos investimentos públicos.
Com informaçōes da Agência Brasil e FGV Social