Aldo Macri, presidente do Sindilojas-SP Foto: Divulgaçāo
Administrar um comércio nunca foi uma tarefa simples. Atrair clientes, controlar estoques, negociar com fornecedores, gerenciar equipes, definir preços e manter a saúde financeira do negócio sempre fizeram parte da rotina dos lojistas. Mas, em 2026, vender bem já não basta.
No Dia do Comerciante, celebrado em 16 de julho, o Sindilojas-SP chama atenção para uma mudança no perfil do empreendedor do varejo. Além da operação diária, os empresários precisam acompanhar transformações econômicas, regulatórias, tecnológicas e comportamentais que podem alterar significativamente os custos, a competitividade e o crescimento das empresas nos próximos anos.
"O comerciante sempre precisou lidar com desafios, mas eles nunca mudaram tão rapidamente como agora. Hoje, quem dedica toda a atenção apenas à rotina da loja corre o risco de ser surpreendido por mudanças que já estão em discussão e que terão impacto direto sobre o funcionamento do negócio", afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP.
Entre os temas que mais preocupam a entidade está a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e possíveis mudanças na escala 6×1. Para um setor intensivo em mão de obra, qualquer alteração pode elevar custos, exigir novas contratações e aumentar a complexidade da gestão das equipes.
Outro assunto que exige preparação é a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia as responsabilidades das empresas na gestão de riscos psicossociais relacionados ao ambiente de trabalho, incluindo aspectos ligados à saúde mental dos colaboradores. A avaliação do Sindilojas-SP é que as empresas precisarão investir cada vez mais em treinamento de lideranças, revisão de processos internos e fortalecimento das práticas de gestão de pessoas.
Na área tributária, a defasagem dos limites do Simples Nacional continua sendo motivo de preocupação. Segundo a entidade, milhares de pequenos negócios acabam sendo penalizados justamente quando conseguem crescer, ao migrarem para regimes tributários mais onerosos. Ao mesmo tempo, o período de transição da reforma tributária exigirá planejamento e adaptação operacional por parte das empresas.
O ambiente competitivo também mudou. O crescimento das plataformas internacionais de comércio eletrônico intensificou a disputa por consumidores e ampliou a pressão sobre os lojistas brasileiros, que convivem com elevada carga tributária, custos trabalhistas e uma série de exigências regulatórias inexistentes para parte dos concorrentes estrangeiros.
"Competir apenas pelo preço deixou de ser uma estratégia viável. O varejo precisa fortalecer atributos que dificilmente podem ser replicados pelas plataformas internacionais, como atendimento personalizado, confiança, relacionamento com o cliente, entrega rápida e serviços de pós-venda", destaca Aldo.
Além disso, o Sindilojas-SP observa uma mudança importante no comportamento de consumo das famílias. O crescimento das apostas esportivas e dos jogos online passou a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, reduzindo a renda disponível para compras, principalmente de produtos considerados não essenciais, como vestuário, calçados, móveis e eletroeletrônicos.
Para a entidade, o comerciante que pretende crescer nos próximos anos precisará dedicar parte do seu tempo não apenas à gestão da operação, mas também ao acompanhamento de tendências e à construção de estratégias para enfrentar um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico.
"Competitividade não depende apenas de administrar bem o presente. Depende, principalmente, da capacidade de antecipar mudanças e preparar a empresa para diferentes cenários. Esperar que todas as regras estejam definidas para só então agir pode significar perder oportunidades e espaço no mercado", conclui Macri.
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