Endividamento das famílias se aproxima de 50%; veja como sair do vermelho

Endividamento das famílias se aproxima de 50%; veja como sair do vermelho

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29 de Setembro de 2026

 

Pagar as contas ficou mais caro para as famílias brasileiras. Em agosto, os juros cobrados no crédito livre para pessoas físicas subiram para 61,7% ao ano, o maior nível dos últimos meses, enquanto a inadimplência e o endividamento também avançaram, segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Banco Central. O aumento foi puxado principalmente pelo cartão de crédito rotativo e pelo parcelado, modalidades conhecidas pelas taxas mais elevadas. Com os juros do crédito para pessoas físicas e a inadimplência das famílias em alta, organizar as finanças se tornou ainda mais importante. Veja abaixo um guia prático para sair do vermelho e evitar o superendividamento.

A regra mais importante é simples: quanto mais altos os juros, maior deve ser a cautela com o crédito. "Em um cenário de taxas elevadas, evitar o cartão rotativo e controlar o orçamento continuam sendo as medidas mais eficazes para manter a saúde financeira", explica o economista e professor do Ibmec, Gilberto Braga.

De acortdo com o relatório do BC, nas empresas, o movimento foi diferente. A taxa média caiu para 24,2% ao ano, com recuo de 1 ponto percentual em agosto.

"Prevaleceu o efeito da variação das taxas (efeito taxa), com destaque para as reduções das taxas médias de cartão de crédito rotativo (-26,9 p.p.), de capital de giro com prazo inferior a 365 dias (-4,1 p.p.) e de capital de giro com prazo superior a 365 dias (-1,0 p.p.)", detalhou o BC.

Mesmo em um cenário de juros elevados, a demanda por crédito das famílias seguiu em alta. O saldo das operações de crédito livre para pessoas físicas atingiu R$ 2,6 trilhões, crescimento de 0,8% no mês e de 10,5% em 12 meses. O avanço foi impulsionado principalmente pelos financiamentos de veículos, pelo uso do cartão de crédito rotativo e pelo crédito consignado para trabalhadores do setor privado.

Nas empresas, o saldo das operações de crédito livre somou R$ 1,6 trilhão, queda de 0,6% em agosto, mas alta de 0,5% na comparação anual. Segundo o Banco Central, o resultado reflete a redução de operações de capital de giro e de desconto de recebíveis.

Somando famílias e empresas, a carteira de crédito livre alcançou R$ 4,1 trilhões, crescimento de 0,2% no mês e de 6,5% em 12 meses, aponta o documento.

Endividamento em alta

Os indicadores também mostram maior pressão sobre o orçamento das famílias: o nível de endividamento chegou a 49,9% da renda, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,1 ponto percentual em comparação com julho do ano passado.

Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas permaneceu em 28,7%, estável no mês, mas 1,4 ponto percentual acima do registrado um ano antes.

A inadimplência também avançou. Na carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional, a taxa atingiu 5%, aumento de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto percentual em 12 meses.

Entre as famílias, a situação é mais preocupante: a inadimplência subiu para 6%, avançando 0,2 ponto percentual em relação a julho e 1,1 ponto percentual na comparação anual. Nas empresas, o índice permaneceu estável em 3,3%.

O relatório do BC mostra que o saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 7,4 trilhões em agosto, crescimento de 0,5% no mês.

As operações contratadas por famílias chegaram a R$ 4,7 trilhões, alta de 0,8%. Já o crédito destinado às empresas recuou 0,1%, encerrando o mês em R$ 2,7 trilhões.

Na comparação com agosto do ano passado, o estoque total de crédito cresceu 9,2%, impulsionado pelo avanço de 10,5% nas operações para pessoas físicas e de 7,1% nas destinadas às empresas.

 

 

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