Martha Imenes
A semana começa com tensão no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, articula uma saída para reduzir o impasse entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A estratégia envolve mudanças nas relatorias de inquéritos sensíveis — o caso do Banco Master e o processo ligado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que apura descontos de mesalidades associativas em aposentadorias e pensōes pagas pela autarquia previdenciária.
Segundo relatos, Fachin tenta convencer Mendonça a abrir mão das relatorias, como já fez o ministro Dias Toffoli em relação ao Banco Master. A ideia é que o próprio presidente do STF assuma os dois casos, evitando que um sorteio provoque nova crise institucional.
Em outra frente, Fachin avalia encerrar o inquérito das Fake News. Como a investigação foi instaurada pela presidência da Corte, ele teria competência para determinar seu fim. A medida, segundo aliados, poderia melhorar a imagem pública do tribunal e abrir espaço para um acordo interno.
Apesar das articulações, interlocutores afirmam que Mendonça resiste a deixar os processos. Fachin já teria sondado colegas, mas o grupo próximo a Moraes e o alinhado a Mendonça não consideraram positiva a troca de relatorias. Ainda assim, a avaliação de Fachin é de que os dois lados terão de ceder para evitar que o conflito se transforme em uma crise maior.
Nos bastidores, Fachin também trabalha para que, caso haja maioria favorável à investigação contra um dos ministros, seja ele próprio o responsável por conduzir as apurações. A retirada de Mendonça das relatorias atenderia ao pleito do grupo de Moraes, que considera que o colega perdeu condições de seguir à frente dos casos. Já o encerramento do inquérito das Fake News seria visto como um gesto de pacificação, segundo interlocutores.
O desafio de Fachin é construir consenso em um tribunal dividido, onde nenhuma solução parece ideal, mas algumas podem ser necessárias para preservar a estabilidade institucional.
Passo a passo da crise
Inquérito das Fake News
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Abertura: Março de 2019, por iniciativa do então presidente do STF, Dias Toffoli.
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Relator: Alexandre de Moraes.
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Objetivo inicial: Investigar ataques, ameaças e notícias falsas contra ministros e familiares do STF.
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Principais decisões:
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Bloqueio de contas em redes sociais de influenciadores ligados ao bolsonarismo.
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Prisão do deputado Daniel Silveira em 2021 por ameaças à Corte.
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Suspensão de perfis do Partido da Causa Operária (PCO) em 2022.
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Críticas: Entidades como a OAB apontaram risco de censura e excesso de poder concentrado no relator.
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Situação atual: Fachin defende o encerramento do inquérito como gesto de pacificação, mas enfrenta resistência interna.
Caso Banco Master
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Origem: Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que apura fraudes financeiras no extinto Banco Master.
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Esquema: Inflar artificialmente ativos e emitir CDBs sem liquidez, atraindo bilhões de investidores.
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Personagem central: Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, preso em 2025 e novamente em 2026.
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Crise no STF:
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Relatórios da PF revelaram mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
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André Mendonça retirou o sigilo desses documentos e apontou proximidade suspeita.
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Moraes reagiu pedindo investigação contra Mendonça por abuso de autoridade.
Impasse entre ministros
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Mendonça: Acusado de direcionar investigações e manipular provas ao exigir acesso a dados brutos da PF.
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Moraes: Questionado por suposta relação com Vorcaro, nega irregularidades e acusa Mendonça de parcialidade.
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Fachin: Busca consenso para assumir relatorias do Banco Master e INSS, além de encerrar o inquérito das Fake News, tentando evitar que o plenário abra investigação contra um dos ministros.