Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
15 de Outubro de 2026
O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) denunciou, nesta terça-feira (13), a remoção de 13 publicações de seu perfil oficial no Instagram por determinação da Justiça Eleitoral. Em nota, a entidade classificou a medida como censura e afirmou que a decisão representa um “grave cerceamento” do debate público sobre o serviço público e os direitos dos servidores federais.
A retirada dos conteúdos foi determinada após uma representação apresentada pelo candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Segundo o Fonasefe, as publicações abordavam medidas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro e declarações públicas do candidato e de integrantes de sua equipe de campanha.
Entre os materiais removidos está a publicação “Lembrar para Não Esquecer – 5 Ataques de Bolsonaro aos Serviços e Servidores Públicos”, além de conteúdos críticos à proposta de cortes nos serviços públicos anunciada por Flávio Bolsonaro.
Para o fórum, a medida impede que a população tenha acesso a informações sobre o histórico de políticas governamentais relacionadas aos serviços públicos e aos direitos dos trabalhadores do setor.
Decisão do TSEA decisão, assinada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que os conteúdos especificados fossem removidos no prazo de 24 horas. O magistrado também proibiu a republicação das mesmas peças.
Na decisão, Bellizze enquadrou as publicações como propaganda eleitoral irregular na internet. Segundo o ministro, a legislação eleitoral veda a veiculação de propaganda em sites e canais vinculados a pessoas jurídicas ou a agentes econômicos que atuem como tais.
“Na linha do entendimento firmado por esta Corte Superior é vedada a propaganda eleitoral em sítios eletrônicos vinculados a pessoas jurídicas ou a agentes econômicos que atuem de fato como tais”, escreveu.
O ministro também afirmou que a participação de pessoas jurídicas em atos de propaganda eleitoral, tanto na pré-campanha quanto durante a campanha, é incompatível com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu doações empresariais para campanhas eleitorais, e com a jurisprudência adotada pelo TSE.
Fonasefe contesta enquadramentoO Fonasefe contesta a interpretação de que as publicações configurariam propaganda eleitoral irregular. De acordo com a entidade, os conteúdos foram elaborados com base em notícias veiculadas pela imprensa e em declarações públicas de Flávio Bolsonaro e de integrantes de sua assessoria.
O fórum sustenta ainda que nenhuma das publicações continha pedido de voto ou informações inverídicas. A entidade argumenta que a discussão sobre o histórico de medidas governamentais e as posições de candidatos em relação ao serviço público é de interesse coletivo.
“O direito à informação não pode ser confundido com propaganda irregular”, afirma a nota.
A organização também questiona o enquadramento jurídico aplicado ao caso. Segundo o Fonasefe, por não possuir personalidade jurídica formal, a articulação não estaria sujeita à vedação apontada na decisão.
Entidade defende direito à informaçãoNa avaliação do fórum, a retirada das publicações pode restringir o acesso dos servidores públicos e da sociedade a informações relevantes para a formação de opiniões políticas, especialmente durante o período eleitoral.
A entidade defende que organizações representativas dos trabalhadores tenham liberdade para discutir propostas e posicionamentos de candidatos que possam afetar o funcionamento dos serviços públicos e os direitos dos servidores.
O Fonasefe afirmou que continuará atuando em defesa do serviço público, dos direitos dos trabalhadores e da liberdade de manifestação das entidades representativas.
“A democracia exige eleições livres para que a sociedade tenha acesso à informação e possa questionar, criticar e cobrar aqueles que disputam o poder”, conclui a nota.