06 de Outubro de 2026
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou nesta terça-feira (6) o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como "Lista Suja". A nova atualização incluiu 82 empregadores, dos quais 54 são pessoas físicas e 28 pessoas jurídicas, número 51,48% menor que o registrado na atualização anterior. Os casos agora incorporados ao cadastro envolvem 553 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em operações de fiscalização realizadas entre 2024 e 2026.
Entre os nomes que mais chamam atenção por serem empresas formalmente constituídas e conhecidas do público local estão a A2 Engenharia Ltda., do setor de construção civil em Pernambuco, e a Academia Acttionolinda Ltda., academia localizada em Olinda (PE). Também aparecem empresas registradas nos setores de construção, comércio, manutenção automotiva e fazendas de pecuária e propriedades rurais entre os novos registros da Lista Suja.
Os novos registros estão distribuídos por 21 unidades da Federação. Minas Gerais concentra o maior número de ocorrências, com 19 casos, seguido pela Bahia, com oito. Amazonas e Maranhão aparecem logo depois, com seis ocorrências cada.
Entre os nomes mais conhecidos em Minas Gerais estão as empresas Agropecuária Ouro Fino Ltda., Alto Forte Florestas Ltda., Ambiental Habitacional Souza Ltda., Cerâmica Rei Minas Ltda., D2 Construtora e Transporte Ltda., Distribuidora Só Verduras Ltda., Comunidade Terapêutica Tenda do Encontro e ECM Fundações e Construções Eireli.
De acordo com o levantamento, muitas das inclusões em Minas Gerais estão ligadas a atividades agropecuárias, florestais, carvoarias, cafeicultura e construção civil, setores historicamente monitorados pelas equipes de fiscalização do trabalho escravo contemporâneo.
Outros entes listados
Na sequência estão Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul e Piauí, com quatro casos cada. Já Mato Grosso, Pernambuco e Roraima registraram três ocorrências cada. Também houve inclusões no Paraná, Goiás, Santa Catarina, Pará, Espírito Santo, Tocantins, Rondônia e Paraíba, além de um caso no Rio Grande do Norte e outro no Rio de Janeiro.
Segundo o ministério, as atividades econômicas com maior número de inclusões nesta atualização foram a criação de bovinos para corte, com oito registros, seguida dos serviços domésticos, com sete, da produção de carvão vegetal e da produção de café, ambas com seis ocorrências, e da construção de edifícios, com cinco.
A chamada Lista Suja é atualizada semestralmente e tem a função de dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo contemporâneo realizadas pela Auditoria Fiscal do Trabalho. A inclusão de um empregador só ocorre após a conclusão do processo administrativo relacionado ao auto de infração por trabalho análogo à escravidão, quando já não cabem mais recursos na esfera administrativa.
Por outro lado, 151 nomes foram retirados da lista nesta atualização por terem completado o período de dois anos de permanência no cadastro. De acordo com as regras vigentes, o nome do empregador permanece publicado por esse período após sua inclusão.
O MTE destaca que a Auditoria Fiscal do Trabalho é o principal eixo das políticas públicas de combate ao trabalho escravo no país. O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), criado há mais de três décadas, atua em parceria com a Polícia Federal, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União.
Desde 1995, mais de 70 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em todo o país. Nesse período, também foram pagos mais de R$ 171 milhões em verbas salariais e rescisórias aos trabalhadores encontrados durante as operações de fiscalização.
A manutenção do cadastro foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, durante o julgamento da ADPF 509. Na decisão, a Corte entendeu que a divulgação dos nomes não configura sanção adicional, mas sim um mecanismo de transparência pública alinhado ao princípio constitucional da publicidade dos atos administrativos.
Além disso, a divulgação encontra respaldo na Lei de Acesso à Informação, que determina a publicação de dados de interesse coletivo pela Administração Pública.
Com base nos dados publicados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, é possível identificar a localidade e a atividade econômica associada aos dez primeiros registros do cadastro. O documento não informa necessariamente a atividade principal da pessoa física, mas apresenta o estabelecimento onde a infração foi constatada e o CNAE vinculado ao caso.
Confira o ranking das dez primeiras empresas listadas
| Empregador | Estado | Município | Atividade/empresa identificada |
|---|---|---|---|
| Gilberto Eleno Batista dos Santos | SP | Igaratá | Empresa registrada sob o CNPJ 41.297.068/0001-61, atividade de obras e serviços especializados da construção (CNAE 4399-1/03). |
| Roberto dos Santos | MT | Comodoro | Empresa registrada sob o CNPJ 48.937.720/0001-04, ligada à fabricação de artefatos de cimento para construção (CNAE 2391-5/03). |
| Flávio Donizeti dos Santos | SP | São José dos Campos | Empresa registrada sob o CNPJ 50.964.355/0001-79, ligada ao comércio e manutenção de veículos (CNAE 4520-0/06). |
| Evambivaldo Ferreira Gonçalves | PE | Ipojuca | Empresa registrada sob o CNPJ 53.162.923/0001-06, relacionada à construção civil (CNAE 3314-7/07). |
| Alexandre Jucelino Zukovski | PR | Cascavel | Empresa registrada sob o CNPJ 54.890.003/0001-77, vinculada ao transporte de cargas e atividades correlatas (CNAE 4744-0/99). |
| Airton de Araujo Gomes | MS | Corumbá | Fazenda São José, atividade de criação de bovinos de corte (CNAE 0161-0/03). |
| A2 Engenharia Ltda. | PE | Ipojuca | Empresa de construção de edifícios (CNAE 4120-4/00). No caso fiscalizado foram identificados 20 trabalhadores. |
| Abel Piona Bernabé | ES | Governador Lindenberg | Propriedade rural em Novo Brasil, ligada à produção agrícola (CNAE 0134-2/00). |
| Academia Acttionolinda Ltda. | PE | Olinda | Academia de atividades físicas (CNAE 9313-1/00). |
| A. C. de S. Mendonça Ltda. | DF | Taguatinga | Empresa de comércio varejista (CNAE 4723-7/00). |
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma sigilosa por meio do Sistema Ipê, canal criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O Sistema Ipê é o canal exclusivo para o recebimento de denúncias de trabalho análogo à escravidão e está integrado ao Fluxo Nacional de Atendimento às Vítimas do Trabalho Escravo.
Faça uma denúncia pelo Sistema Ipê: https://ipe.sit.trabalho.gov.br/#!/