Lula defende soberania, critica interferência externa e reforça combate à desinformação em discurso na ONU

Lula defende soberania, critica interferência externa e reforça combate à desinformação em discurso na ONU

Ricardo Stuckert

22 de Setembro de 2026

Nova York - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania dos países latino-americanos, criticou tentativas de interferência externa em processos políticos e afirmou que o Brasil não aceitará influências estrangeiras sobre suas decisões internas. As declarações foram feitas nesta terça-feira (22), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Ao abordar a situação da América Latina e do Caribe, Lula afirmou que a região enfrenta pressões geopolíticas em meio ao fortalecimento de disputas entre grandes potências: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", declarou o presidente.

Segundo Lula, o mundo volta a registrar episódios de ingerência em processos eleitorais, a divisão de países em zonas de influência e disputas por recursos estratégicos. Ele citou os casos de Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba para defender o princípio da autodeterminação dos povos.

O presidente ressaltou que os países latino-americanos avançaram na consolidação da democracia após décadas marcadas por ditaduras e regimes autoritários. Para ele, diferenças ideológicas não devem impedir a aproximação entre os vizinhos.

"Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para uma maior integração entre vizinhos", afirmou.

Lula também alertou para o que chamou de ameaças à democracia em diversas partes do mundo. "A democracia está novamente em xeque", afirmou em seu discurso.

O presidente defendeu que o povo venezuelano tenha o direito de decidir seu próprio futuro sem interferências externas e afirmou que a Nicarágua não resolverá seus problemas limitando a participação da oposição nas eleições. Ele ainda mencionou a crise humanitária no Haiti e voltou a criticar o embargo econômico imposto a Cuba.

Desinformação e fake news

Durante o discurso, Lula destacou a preocupação com o avanço das redes de desinformação e seu impacto sobre o ambiente democrático.

Segundo ele, o governo brasileiro acompanhará possíveis tentativas de manipulação do debate público durante campanhas eleitorais. "Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular."

O presidente também reafirmou confiança nas instituições e no sistema eleitoral brasileiro.

Críticas ao negacionismo

Lula dedicou parte do pronunciamento ao combate ao negacionismo científico. Ao citar a pandemia da covid-19, lembrou as mortes provocadas pela doença e alertou para o crescimento de campanhas antivacina.

"Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento à covid-19", disse.

O presidente também defendeu o fortalecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e criticou a redução do espaço dedicado às mudanças climáticas na agenda internacional.

Segundo ele, o tema perdeu protagonismo em fóruns globais recentes, apesar da urgência das ações para conter o aquecimento global.

Segurança pública

Na área de segurança, Lula descartou qualquer participação de forças estrangeiras no combate ao crime organizado dentro do território brasileiro.

"O Brasil não vai transferir a responsabilidade de defender suas fronteiras e garantir a segurança da população", afirmou.

O presidente defendeu a ampliação da cooperação internacional para combater o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro, mas rejeitou ações militares externas.

"Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas; precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado."

Lula afirmou ainda que o governo brasileiro apresentou aos Estados Unidos propostas de cooperação para combater a lavagem de dinheiro praticada por organizações criminosas e destacou o fortalecimento das ações integradas entre estados e órgãos de segurança no país.

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