Ministro Luis Felipe Salomão assume a presidência do STJ

Ministro Luis Felipe Salomão assume a presidência do STJ

Agência CNJ

Martha Imenes

O ministro Luis Felipe Salomão chega à presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após quase quatro décadas de atuação na magistratura, consolidando uma trajetória marcada por iniciativas que modernizaram o sistema jurídico brasileiro e tomou decisões que têm grande impacto social.

Neto de imigrantes árabes, nascido em Salvador e criado no Rio de Janeiro, Salomão, que tem 63 anos de idade, construiu carreira sólida desde a advocacia e o Ministério Público até se tornar desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), antes de ingressar no STJ em 2008.

O ministro assume o comando da Corte para o biênio 2026-2028 ao lado de Mauro Campbell Marques, que será vice-presidente. A posse ocorrerá nesta quarta-feira, a partir das 18h, em cerimônia que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, além de outras personalidades do mundo jurídico, político e da advocacia.

A solenidade, que será transmitida ao vivo pelo canal do STJ no YouTube, encerra a gestão do ministro Herman Benjamin, que presidiu o STJ desde agosto de 2024. Salomão e Campbell foram escolhidos por unanimidade pelo Pleno do tribunal em 14 de abril para ocupar os dois principais postos da Corte no próximo biênio. Campbell deixa o comando da Corregedoria Nacional de Justiça, que será assumido pelo ministro Benedito Gonçalves.

Principais contribuiçōes

Entre suas principais contribuições está a presidência de comissões que resultaram na criação da Lei da Mediação e na reforma da Lei de Arbitragem, fundamentais para ampliar as soluções alternativas de conflitos. O ministro também liderou, entre 2023 e 2024, a comissão do Senado responsável pela atualização do Código Civil, propondo inovações como o direito civil digital, com regras específicas para redes sociais, contratos eletrônicos e herança digital. Além disso, participou da elaboração de projeto que modernizou o sistema de insolvência e integrou comissão da Câmara destinada a sistematizar normas do processo constitucional.

No campo das decisões judiciais, Salomão foi relator de julgamentos que marcaram a história do STJ. Em 2011, reconheceu o casamento entre pessoas do mesmo sexo, fundamentado nos princípios de igualdade e dignidade da pessoa humana. Também garantiu o direito de pessoas trans à alteração de nome e sexo sem necessidade de cirurgia, e fixou limites à responsabilização da imprensa no julgamento sobre o direito ao esquecimento no caso Aída Curi. No direito do consumidor, estabeleceu precedentes relevantes, como o prazo para reclamações de vício oculto em produtos e decisões sobre planos de saúde e seguros.

Sua atuação na Justiça Eleitoral também foi decisiva. No TSE, foi responsável pela propaganda eleitoral em 2018 e corregedor-geral em 2020, fixando teses sobre abuso de poder econômico, combate às fake news e reforço da transparência nas contas partidárias.

À frente da Corregedoria Nacional de Justiça, entre 2022 e 2024, Salomão priorizou políticas voltadas à população vulnerável. Criou o programa Registre-se! para emissão de documentos, o Novos Caminhos para jovens em acolhimento, e os projetos Solo Seguro e Solo Seguro Favela, voltados à regularização fundiária.

Salomāo modernizou os cartórios com o Serp-Jud, que unificou consultas a registros públicos, e instituiu protocolos de combate à violência contra a mulher com o Provimento CNJ 147/2023 foi criado um protocolo específico para o atendimento de magistradas e servidoras vítimas da violência de gênero. Foram realizadas inspeções nos tribunais dos 26 estados e do Distrito Federal, além de 14 correições extraordinárias, que permitiram identificar boas práticas, posteriormente incentivadas pelo órgão em outras unidades da Justiça. Ao todo, a Corregedoria Nacional recebeu 18.841 processos e baixou 18.466 no período em que foi dirigida pelo ministro Salomão.

Planos de saúde

Na Segunda Seção, Salomão foi relator do Tema 1.082, no qual o STJ assegurou a continuidade da cobertura para beneficiário internado ou em tratamento de doença grave após a rescisão unilateral de plano ou seguro de saúde coletivo. A manutenção da assistência é garantida até a alta médica, desde que o beneficiário arque integralmente com as mensalidades.

Em outro precedente relatado pelo ministro, o colegiado fixou em dez anos o prazo para o beneficiário de plano de saúde pedir o reembolso de despesas médico-hospitalares previstas no contrato e não pagas pela operadora. O acórdão uniformizou a jurisprudência da Segunda Seção, encerrando divergência entre as turmas de direito privado sobre o prazo prescricional aplicável.

Ainda no âmbito da seção de direito privado, Salomão foi relator no julgamento que fixou em um ano o prazo prescricional para qualquer ação judicial entre segurado e seguradora relacionada ao descumprimento de obrigações previstas no contrato de seguro.

Novo vice-presidente do STJ chefiou
o Ministério Público do Amazonas

Natural da cidade de Manaus, o ministro Mauro Campbell Marques chegou ao STJ após uma carreira de mais de duas décadas no Ministério Público do Amazonas (MP-AM), instituição que chefiou durante três mandatos. Além da atuação como promotor e procurador, Campbell foi secretário de Justiça e de Segurança Pública de seu estado natal.

No STJ, o ministro foi integrante da Segunda Turma e da Primeira Seção, especializadas em direito público, além de exercer os cargos de membro titular do TSE, corregedor-geral da Justiça Federal e diretor da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).

Mauro Campbell presidiu a comissão do Senado responsável por propor normas para a desburocratização da administração pública brasileira, além de comandar a comissão que elaborou o anteprojeto de reforma da Lei de Improbidade Administrativa.

Além de integrar a Corte Especial do STJ, Campbell é o corregedor nacional de Justiça desde 2024. Formado em ciências jurídicas pelo Centro Universitário Metodista Bennett, no Rio de Janeiro, é autor de diversas obras e artigos em áreas como direito administrativo sancionador, processo civil e direito tributário.

Quem é o novo corregedor
nacional de Justiça

O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi aprovado em junho passado para assumir o cargo de corregedor nacional de Justiça.

Nascido do Rio de Janeiro, Benedito Gonçalves é bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização em Direito Processual Civil e mestrado na área. Iniciou a carreira na Magistratura em 1988 como juiz federal, no Rio Grande do Sul. Depois, ingressou no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), no Rio de Janeiro.

É ministro do STJ desde setembro de 2008. Atuou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como ministro efetivo e corregedor-geral da Justiça Eleitoral.

 

 

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