O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou na segunda-feira (27), em entrevista ao portal JOTA, que não vê necessidade de uma nova reforma no sistema de aposentadorias e pensões. O ministro classificou como “cruéis” as propostas que envolvem mudanças na idade mínima e defendeu maior proteção aos trabalhadores mais vulneráveis.
“Não concordo que haja necessidade de uma reforma”, disse o ministro. “Estamos envelhecendo mais e isso pressiona a conta da Previdência, mas considero injusto que se olhe sempre para aumentar a idade ou a alíquota de contribuição.” Ele destacou ainda que, em regiões como o Nordeste, a expectativa de vida é menor, o que torna mais difícil para trabalhadores que enfrentam longas jornadas e deslocamentos diários.
Apesar da resistência, Queiroz reconheceu que ajustes serão inevitáveis. “Nós estaremos desafiados a construir soluções reais de Previdência, mas sem penalizar aqueles que já vivem muito sofridos”, afirmou. O ministro ressaltou que a maioria dos trabalhadores brasileiros não desfruta das mesmas condições de quem atua em ambientes mais confortáveis, como escritórios.
Enquanto isso, membros da equipe econômica já discutem alternativas. O atual ministro da Fazenda Dario Durigan, por exemplo, citou endurecimento das regras para militares. Já a secretária de Política Econômica, Débora Freire, mencionou possíveis mudanças na idade mínima, e o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, defendeu que o país se acostume com ajustes mais frequentes no sistema.
Questionado sobre essas posições, Queiroz disse que cada ministro cumpre um papel dentro da estratégia definida pelo presidente Lula. “O capitão do time agora é a ministra Miriam Belchior, o técnico é o presidente Lula. O ministro Dario é o atacante, cuidando dos números. Eu sou o cara da defesa, da proteção social. Estou fazendo o meu papel”, concluiu.