MPF realiza reunião no Quilombo Sobara em Araruama

MPF realiza reunião no Quilombo Sobara em Araruama

Fotos: MPF

21 de Setembro de 2026

O Ministério Público Federal (MPF) realizou reunião para apuração das condições no Quilombo Sobara, em Araruama (RJ). O procedimento que acompanha o caso foi aberto após integrantes da comunidade relatarem ameaças e coações e diversos conflitos graves no território. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apontou riscos socioambientais, como precariedade no acesso à água potável no Sítio Paraíso e a paralisação de uma obra de saneamento básico no Sítio Benfica.

Nesse sentido, o procurador da República Leandro Mitidieri busca providências relacionadas às denúncias de conflitos, às condições de trabalho e à proteção das lideranças. A investigação busca esclarecer os fatos relatados e subsidiar a adoção das medidas cabíveis pelos órgãos públicos responsáveis.

Foto tirada de dentro de um carro mostra uma estrada de terra com mato ao longo do caminho nos dois lados da estrada

Fiscalização - Uma das providências foi solicitar ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a fiscalização do Quilombo Sobara para apurar as denúncias de trabalho em condição análoga à escravidão.

No documento enviado ao MTE, Mitidieri destacou a necessidade de esclarecer os fatos e alertou para a não exposição das lideranças. Ele informou que uma das lideranças já possui pedido de ingresso no programa de proteção a defensores de direitos humanos.

O MPF também solicitou que a fiscalização trabalhista fosse realizada em reunião presencial na terra quilombola, com o objetivo verificar as informações sobre a possível submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Além disso, enviou ofício ao Incra para que representantes da autarquia acompanhem o caso, tendo em vista os relatos de ameaças e coações relatadas por integrantes da comunidade.

Foto mostra diversas pessoas, entre homens e mulheres, em pé uma ao lado da outra; na frente um home está agachado

Riscos socioambientais - O MPF também apura os problemas relacionados às condições de vida dos moradores do Quilombo Sobara, a partir de relatório encaminhado pelo Incra.

No Sítio Paraíso, o relatório informa que os poços utilizados para abastecer cerca de 20 moradias apresentam água turva e imprópria para consumo. Segundo os moradores, a situação estaria relacionada a intervenções da empresa Lagos Bioenergia S/A, antiga Agrisa, que incluem retirada de eucaliptos, uso de maquinário e aração do solo para o plantio de cana-de-açúcar. Os relatos apontam possíveis danos à infraestrutura hídrica e contaminação do lençol freático.

Já no Sítio Benfica, moradores relataram a paralisação, há aproximadamente seis meses, de uma obra de saneamento básico iniciada em 2023, destinada ao tratamento de esgoto. A obra envolve o governo do Estado, a prefeitura de Araruama e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).


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