Ana Cristina Silveira deu entrevista ao programa A Voz do Brasil
Em sua primeira entrevista como presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira, afirmou no programa A Voz do Brasil que sua principal missão à frente do órgão é recuperar a confiança da população, ao mesmo tempo em que vai acelerar a análise de benefícios e modernizar os sistemas.
A nova direção do INSS aposta na combinação de tecnologia, gestão e valorização dos servidores para melhorar o atendimento. O objetivo, segundo Ana Cristina, é garantir um sistema mais ágil, estável e acessível para milhões de brasileiros que dependem dos serviços previdenciários.
Filas distintas
Embora o comparativo "fila do governo anterior e do atual", amplamente veiculado nos últimos dias, não tenha sido pautado da entrevista, é importante esclarecer que no governo anterior as análises de perícias médicas não encontradas na fila do INSS, eram isoladas, tinham fila própria. Por isso, o quantitativo dos requisitos em espera na autarquia previdenciária parecia menor que o atual.
Em 2023, o governo atual determinou que os requisitos relativos à perícia médica fossem incluídos no fila do INSS. Portanto, segundo previdenciaristas, não cabe comparar entre as duas gestões. No período da transição de governo, no final de 2022, a soma de requisitos feitos ao INSS e à perícia médica, somaram cerca de 2,4 milhões de pedidos já naquele período.
Outro ponto a esclarecer: desde 2019 os médicos peritos não são mais do quadro de servidores do INSS, eles fazem parte do Departamento de Perícia Médica Federal, vinculado ao Ministério da Previdência Social.
Pedidos repetidos
Um problema para a fila do INSS, que deixou de entrar no Portal da Transparência Previdenciária a partir de maio de 2025, são os pedidos reiterados ao INSS. Em abril do ano passado , o Ministério da Previdência Social e o INSS incluíram o número de requisitos reiterados no portal.
Para se ter uma ideia, em dezembro de 2024, 302.881 pedidos de benefícios foram repetidos. Ou seja, uma pessoa entrou com um pedido no INSS, teve o pedido negado, mas mesmo assim fez novo pedido para o mesmo benefício. Essa ação impacta no número final do estoque de requisitos.
Outro ponto que afeta o resultado final da fila são os requisitos que estão em exigência com os seguros, que no portal são classificados como Tempo Médio de Concessão (TMC) bruto, que em março deste ano está em 63 dias. O Tempo Médio de Concessão (TMC) líquido está em 54 dias. Ele leva em conta somente os pedidos que não estão em exigência. Ou seja, pedidos que dependem de ação do INSS. Os segurados podem consultar pela Central 135 ou pelo Meu INSS (aplicativo ou site) o andamento do processo e a penhora dos documentos que caíram em exigência , se for o caso.
Número é menor
Um dos principais pontos destacados pelo novo presidente do INSS na entrevista ao programa foi a diferença entre o volume total de processos e a fila real de análise.
Um novo presidente do INSS explicou que, do total de 2,7 milhões de processos no Órgão, deverão ser subtraídos:
Pelas contas, o volume de processos em atraso está em torno de 900 mil. “Hoje a fila de verdade é menos de 1 milhão de requisitos”, afirmou.
De acordo com a gestão, somente por meio dos mutirões realizados aos finais da semana, foram feitos 130 mil atendimentos em 2026.
Uma estratégia de modernização envolve tecnologia e reorganização interna. O presidente destacou parceria com a Dataprev para melhorar a estabilidade dos sistemas, tão criticada pelos próprios servidores.
Entre as ações estão:
"Sou servidora de carreira, então eu conheço os fluxos de trabalho. Com esse olhar, a gente vai conseguir melhoria, trazer mais rapidez", disse a nova presidente.
Ela também citou soluções adotadas recentemente, como o Atestmed, que agiliza análises documentais, e a Perícia Conectada, que amplia o atendimento em regiões remotas.
Mutirões regional
Os mutirões, destacados, seguem como estratégia central para reduzir a fila, especialmente em regiões com maior demanda reprimida, como Norte e Centro-Oeste.
As ações priorizam benefícios por invalidez e assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e os Benefícios por Incapacidade, o auxílio-doença.
Biometria e segurança
O presidente também esclareceu dúvidas sobre o uso da biometria. A exigência da Carteira de Identidade Nacional (CIN) para a concessão de novos benefícios a quem não tem nenhuma biometria, que entraria em vigor em 1º de maio, foi adiada para 1º de janeiro de 2027.
"Não vai haver cessação de benefício, corte de benefício por conta da biometria. Não precisa pânico", afirmou Silveira, desmentindo fake news de que quem não tem uma nova carteira de identidade (CIN).
Ela ressaltou que quase todos os brasileiros possuem dados biométricos cadastrados em bases como Justiça Eleitoral, Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e passaporte.
"Para não errar em fake news . Os segurados não devem clicar em links para receber SMS ou WhatsApp". Em caso de dúvidas ou segurança deve-se ligar no número 135 ou procurar qualquer agência do INSS.
Com informações da Agência Brasil
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