Novo pedido de Mendonça contra Moraes aprofunda crise e amplia pressão sobre Fachin no STF

Novo pedido de Mendonça contra Moraes aprofunda crise e amplia pressão sobre Fachin no STF

23 de Setembro de 2026

A apresentação de um novo pedido do ministro André Mendonça para que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado por suposto abuso de poder aprofundou a crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) e reduziu as perspectivas de uma solução negociada para o impasse que há mais de 20 dias divide a Corte.

Reservadamente, ministros do STF avaliam que a iniciativa demonstra que ainda não existe disposição entre os principais envolvidos para construir um acordo capaz de reduzir as tensões institucionais. Nos bastidores, o novo episódio é visto como mais um capítulo da escalada de confrontos entre diferentes grupos da Corte.

Entre ministros alinhados a Moraes, a avaliação é de que Mendonça teria reagido às acusações feitas pelo colega com base em relatórios de inteligência que apontaram supostas irregularidades na condução dos casos envolvendo o Banco Master e o INSS. Integrantes desse grupo interpretam a medida como uma tentativa de "dar o troco" ao magistrado.

Já ministros próximos a Mendonça sustentam que o pedido teve como objetivo reforçar uma crítica que ele vem fazendo publicamente: a suposta instrumentalização da Polícia Federal em investigações relacionadas aos casos em andamento no Supremo.

'Método Fachin' busca conversas individuais

Apesar das divergências, há um ponto de convergência entre as diferentes alas da Corte. O novo movimento aumentou a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin, responsável por conduzir a gestão da crise. Ministros ouvidos reservadamente relatam que o episódio também colocou em evidência o método adotado por Fachin, baseado em conversas individuais e sem uma ampla articulação política interna para construir consensos.

Nos últimos dias, integrantes do tribunal aconselharam o presidente a adiar qualquer tentativa de conciliação até a conclusão do processo eleitoral. A avaliação é de que, encerrada a disputa e reduzidas as incertezas sobre o cenário político nacional, o Supremo terá melhores condições para enfrentar os desdobramentos da crise.

Entre as alternativas discutidas nos bastidores está a possibilidade de ampliar as apurações para além dos dois ministros diretamente envolvidos. A ideia seria avançar não apenas sobre os pedidos relacionados a Moraes e Mendonça, mas também verificar eventuais conexões de outras pessoas mencionadas nos processos que envolvem o empresário Daniel Vorcaro.

Até o momento, não há prazo para que Fachin decida sobre o pedido de investigação apresentado por Mendonça.

Pedido de vista sem data de retorno

O impasse ocorre paralelamente ao julgamento iniciado pelo plenário do STF em 15 de setembro para decidir se deve ser aberta uma investigação contra Moraes, após relatório da Polícia Federal apontá-lo como interlocutor em 52 mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro. A sessão foi marcada por trocas de acusações entre ministros, bate-bocas e pedidos de esclarecimento, terminando sem conclusão após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O prazo para devolução do processo se encerra apenas em dezembro, na reta final do calendário judiciário de 2026, o que pode empurrar uma decisão definitiva para o próximo ano.

O caso envolvendo Mendonça também permanece sem previsão de julgamento. A análise do pedido que o envolve estava inicialmente prevista para esta semana, mas foi retirada de pauta diante da discussão sobre a conveniência de apreciar conjuntamente os procedimentos relacionados aos dois ministros.

Relaçāo entre Master e Instituto Iter

A crise ganhou novos contornos com uma iniciativa paralela de Flávio Dino, que solicitou a Fachin a abertura de investigação para apurar uma possível relação entre o Banco Master, o Instituto Iter, ligado a Mendonça, e contratos firmados pelo município de São Paulo para a operação de cemitérios privados. Esse pedido também segue sem previsão de análise.

Com investigações cruzadas, julgamentos suspensos e posições cada vez mais polarizadas dentro da Corte, ministros avaliam que o STF se afasta, ao menos por enquanto, de qualquer perspectiva imediata de pacificação institucional.

 

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