Ri Happy entra na Justiça para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

Ri Happy entra na Justiça para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

Divulgaçāo

20 de Outubro de 2026

O Grupo Ri Happy, dono das redes Ri Happy e PBKids, pediu recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. Segundo a companhia, credores que representam R$ 308,8 milhões dos débitos, ou 42,38% do valor incluído no plano, já aderiram à proposta de renegociação.

O pedido foi protocolado pouco mais de um mês após a aquisição da empresa pela BluSun Capital. Desde então, a operação passou a ser comandada por Héctor Nuñez, fundador da gestora.

Em nota, a empresa informou que a medida faz parte de um plano de reestruturação financeira e operacional. O grupo afirmou que as lojas físicas e os canais digitais continuam funcionando normalmente, enquanto a companhia se prepara para as vendas da Black Friday e do Natal.

Atualmente, a varejista soma cerca de 292 lojas entre unidades próprias e franquias das marcas Ri Happy e PBKids, além de mais de 2.600 funcionários.

No pedido apresentado à Justiça, o grupo atribui a crise a uma combinação de fatores que afetaram o varejo nos últimos anos.

Entre os principais motivos citados estão os impactos da pandemia, os juros elevados, a perda de poder de compra dos consumidores e a desaceleração das vendas. A empresa também afirma que a renegociação de aproximadamente R$ 292 milhões em dívidas bancárias realizada em 2023 não produziu os resultados esperados.

Outro fator apontado pela companhia é o avanço de plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Shopee e AliExpress. Segundo o grupo, mesmo após a tributação das compras internacionais de até US$ 50, os produtos importados continuam tendo vantagem competitiva em relação aos vendidos no país.

No documento, a Ri Happy argumenta que a elevada carga tributária sobre produtos comercializados no mercado brasileiro reduz a competitividade do varejo nacional. Dados citados pela empresa mostram que os tributos representam quase metade do preço final de itens como bicicletas e bolas de futebol, enquanto nos patins a carga tributária supera 50%.

"A crise do Grupo Ri Happy se insere em um movimento mais amplo de deterioração das condições do varejo", afirma a empresa no pedido.

Segundo o documento, a retração do consumo, o encarecimento do crédito e as dificuldades financeiras enfrentadas por varejistas, indústrias, importadoras e distribuidoras vêm pressionando toda a cadeia de fornecimento.

A nova administração informou que vem adotando medidas para aumentar a liquidez, reduzir custos e reorganizar a estrutura de capital da companhia.

Entre as iniciativas já anunciadas estão ajustes nas equipes corporativas e a mudança da sede da empresa. A Ri Happy também pretende fortalecer as vendas nas lojas físicas e nos canais digitais, além de estreitar o relacionamento com clientes, fornecedores, franqueados, shopping centers e instituições financeiras.

De acordo com a companhia, o objetivo é adequar os compromissos financeiros à capacidade operacional do negócio e garantir sua sustentabilidade no longo prazo.

Segunda empresa do setor a recorrer à Justiça

A Ri Happy é a segunda grande companhia do setor de brinquedos a buscar proteção judicial neste ano.

Em maio, a fabricante Estrela, conhecida por marcas como Banco Imobiliário, Autorama, Genius e Susi, entrou com pedido de recuperação judicial. Entre os motivos apontados pela empresa estavam os juros elevados, a dificuldade de acesso ao crédito e as mudanças nos hábitos de consumo, com o crescimento dos jogos e do entretenimento digital.

Fundada em 1988, em São Paulo, a Ri Happy se consolidou como a maior rede especializada em brinquedos do país. Em 2012, a companhia foi adquirida pelo fundo Carlyle Group, que também comprou a PBKids. Em agosto deste ano, o controle do grupo passou para a BluSun Capital, que agora conduz o processo de reestruturação financeira da varejista.

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