06 de Outubro de 2026
Por Martha Imenes
O futuro do salário-mínimo, das aposentadorias do INSS e dos direitos trabalhistas está entre os temas mais relevantes deste segundo turno da eleiçāo presidencial de 2026. Enquanto o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a manutenção da política de valorização do salário-mínimo e a ampliação da proteção previdenciária, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) sinaliza mudanças estruturais nas áreas previdenciária e trabalhista como forma de reduzir despesas e estimular a geração de empregos. Nos dois casos, o impacto cai direto na massa trabalhadora e nas aposentadorias.
Isso porque, atualmente, o reajuste do salário-mínimo leva em consideração a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Ou seja, a regra garante aumento real da renda sempre que houver crescimento econômico. No governo passado a política de valorizaçāo do piso nacional nāo foi implementada.
Além do impacto sobre os salários dos trabalhadores, essa regra afeta diretamente milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), já que os benefícios equivalentes ao piso previdenciário acompanham os reajustes do mínimo.
No plano de governo registrado na Justiça Eleitoral, Lula defende a manutenção da política de valorização do salário-mínimo, garantindo reajustes acima da inflação sempre que houver crescimento econômico. O presidente também propõe ampliar a cobertura previdenciária, fortalecer o financiamento da Previdência Social e regulamentar a contribuição previdenciária dos trabalhadores de aplicativos.
O programa não prevê mudanças nas regras atuais de cálculo das aposentadorias nem uma nova reforma previdenciária. Também não há propostas de flexibilização da legislação trabalhista. Pelo contrário, o presidente tem defendido a ampliação da proteção social para trabalhadores de plataformas digitais e vem criticando pontos da reforma trabalhista aprovada em 2017.
O plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê uma ampla revisão de normas federais, redução de ministérios, corte de despesas administrativas, reforma administrativa e medidas para equilibrar as contas públicas. O documento também propõe combate a fraudes na Previdência e modernização da gestão do sistema previdenciário.
Além das propostas registradas oficialmente, o coordenador da campanha, Rogério Marinho, afirmou que um eventual governo do PL pretende "revisitar" tanto a reforma da Previdência quanto a reforma trabalhista. Segundo ele, o atual modelo previdenciário "está estourando" e poderá exigir novas mudanças estruturais.
Marinho também declarou que a reforma trabalhista de 2017 precisaria ser revista para se adaptar às novas formas de contratação e ao avanço das plataformas digitais. No entanto, até o momento não foram detalhadas propostas específicas sobre idade mínima, valor de benefícios ou mudanças concretas na Consolidaçāo das Leis do Trabalho (CLT).
Principais diferenças
| Tema | Lula (PT) | Flávio Bolsonaro (PL) |
|---|---|---|
| Salário-mínimo | Mantém ganhos reais acima da inflação | Não detalhou se manterá a política atual |
| Aposentadorias vinculadas ao salário-mínimo | Mantém modelo atual | Não esclareceu se manterá a vinculação |
| Reforma da Previdência | Não propõe nova reforma | Coordenação da campanha defende uma nova revisão previdenciária |
| Trabalhadores de aplicativos | Regulamentação e inclusão previdenciária | Defende atualização das regras trabalhistas para novas formas de trabalho |
| Reforma trabalhista | Sem proposta de flexibilização | Defende rediscutir a reforma trabalhista de 2017 |