29 de Setembro de 2026
Por Martha Imenes
O Brasil ocupa a segunda posição em um ranking de terras raras com reservas relevantes de lítio, grafite, níquel e cobalto, o país tem a segunda maior reserva estimada de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. A China lidera o ranking, com 44 milhões de toneladas, seguida pela Índia, com 6,9 milhões. Os Estados Unidos aparecem na sétima colocação, com 1,9 milhão de toneladas, o que ajuda a explicar o interesse do presidente norte-americano Donald Trump pelos recursos minerais brasileiros.
Embora tenha destaque, graças ao montante de suas reservas, o Brasil ainda tem baixa produção em terras raras. A participação do país no setor é de apenas 1%. A única mina em operação comercial no segmento de terras raras é a Serra Verde, em Minaçu, Goiás, cujas atividades começaram em 2024, com foco em terras raras pesadas. Grande parte dos demais projetos encontra-se em fase de pesquisa ou de licenciamento. Porém, nem todos os pedidos serão convertidos em exploração.
“O Brasil possui um enorme potencial de crescimento na energia eólica, especialmente nas regiões Nordeste e Sul. Turbinas eólicas modernas usam ímãs permanentes de terras raras em seus geradores para aumentar a eficiência e reduzir custos de manutenção. À medida que o país expande sua matriz energética renovável, a demanda interna por ímãs de alto desempenho deve crescer exponencialmente, reforçando a necessidade de domínio da produção desses materiais”, diz Ysrael Vera, pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM/MCTI).
Confira quais sāo os elementos de terras raras
As terras raras são formadas por 17 elementos químicos: os 15 lantanídeos, mais escândio e ítrio, que possuem propriedades químicas semelhantes e geralmente aparecem associados aos mesmos depósitos minerais.
Embora os 17 integrem o grupo, alguns têm papel especialmente estratégico:
Presente no cotidiano da populaçāo
Embora pouco conhecidos pelo grande público, esses minerais de terras raras estão presentes no cotidiano de bilhões de pessoas. São componentes fundamentais de tecnologias que vão de celulares e computadores a veículos elétricos, sistemas de comunicação, equipamentos médicos e fontes de energia renovável. Entre os principais minerais críticos estão lítio, cobre, grafite, cobalto, níquel e manganês.
Um smartphone, por exemplo, depende de lítio, grafite, níquel e cobalto para o funcionamento da bateria. Já elementos classificados como terras raras, como o neodímio, são utilizados em componentes responsáveis pelo som e pela vibração do aparelho. Essa relação mostra como minerais críticos e terras raras estão diretamente conectados.
"São materiais que sustentam toda a infraestrutura tecnológica moderna. Sem eles, não existiria a revolução digital como conhecemos hoje", explica o economista e especialista em mineração e comércio internacional, Paulo Guedes Filho.
Segundo o geólogo e consultor mineral Carlos Eduardo Lopes, a relevância desses materiais para a economia atual pode ser comparada ao papel desempenhado pelo petróleo no século passado.
"O petróleo foi o motor da economia industrial do século XX. Os minerais críticos tendem a desempenhar função semelhante na economia digital e de baixo carbono que está sendo construída neste século", afirma.

Maiores reservas de terras raras do mundo
| Ranking | País | Reservas estimadas |
|---|---|---|
| 1º | China | 44 milhões de toneladas |
| 2º | Brasil | 21 milhões de toneladas |
| 3º | Índia | 6,9 milhões de toneladas |
| 4º | Austrália | 5,7 milhões de toneladas |
| 5º | Rússia | 3,8 milhões de toneladas |
| 6º | Vietnã | 3,5 milhões de toneladas |
| 7º | Estados Unidos | 1,9 milhão de toneladas |
| 8º | Groenlândia | 1,5 milhão de toneladas |
| 9º | Tanzânia | 890 mil toneladas |
| 10º | África do Sul | 860 mil toneladas |
Esse contexto ajuda a entender por que o tema se tornou frequente nos discursos de líderes mundiais. As grandes economias buscam reduzir a dependência de fornecedores externos e garantir acesso a matérias-primas consideradas essenciais para a competitividade industrial.
A política econômica defendida por Donald Trump, por exemplo, atribui grande importância à reindustrialização dos Estados Unidos. Para ampliar a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa, o país precisa assegurar o fornecimento desses insumos estratégicos.
Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos países mais promissores. Além de liderar a produção mundial de nióbio, possui reservas expressivas de terras raras, lítio, grafite, níquel e manganês, o que o coloca em posição privilegiada diante do crescimento da demanda global.
Para o cientista político Ricardo Mendes, especialista em relações internacionais, a importância geopolítica desses recursos tende a aumentar nos próximos anos.
"Estamos diante de uma mudança estrutural da economia mundial. Assim como as regiões produtoras de petróleo ganharam relevância estratégica no século passado, os países com grandes reservas de minerais críticos devem ocupar papel cada vez mais importante no cenário internacional", conclui.
Com informaçōes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico