25 de Setembro de 2026
A Yduqs, controladora da Estácio e do Ibmec, e a Afya, uma das maiores empresas de educação médica do país, confirmaram nesta quarta-feira a fusão de suas operações, criando um grupo com receita combinada de R$ 9,4 bilhões e forte concentração nos segmentos premium do ensino superior.
A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e deve ocorrer em até 12 meses após a assinatura do acordo.
Pelos termos da operação, os acionistas da Afya passarão a deter 69% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Yduqs ficarão com os 31% restantes. A empresa resultante permanecerá listada no Novo Mercado da B3.
As negociações entre os dois grupos já haviam sido reveladas ao mercado no fim de agosto. Agora, com a confirmação da transação, as companhias apostam na complementaridade de suas operações para ampliar a presença no ensino superior e acelerar o crescimento em áreas de maior rentabilidade, especialmente medicina e educação continuada na área da saúde.
"A transação reflete essa visão estratégica de que as duas empresas são muito complementares e, juntas, podem potencializar suas oportunidades de crescimento", afirmou Rossano Leandro, CEO da Yduqs, durante apresentação a analistas e investidores.
Segundo as empresas, a fusão poderá gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em sinergias, das quais cerca de 80% deverão ser capturadas nos três primeiros anos após a conclusão da operação.
Embora a estrutura societária preserve a listagem da Yduqs na bolsa brasileira, o controle econômico da nova companhia ficará concentrado nos atuais acionistas da Afya.
O grupo alemão Bertelsmann, controlador da empresa de educação médica, será o principal acionista da companhia combinada, com participação de 47,3%. A família Esteves terá 7,6% do capital.
Do lado da Yduqs, a gestora Advent ficará com 5,3% da nova empresa, enquanto a família Zaher terá participação de 4,8%.
Os principais acionistas dos dois grupos também assinaram compromisso para votar favoravelmente à operação em assembleias e manter suas participações por pelo menos 180 dias após o fechamento do negócio.
A companhia distribuirá ainda, sob determinadas condições, ao menos R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs.
A estrutura de comando da nova empresa também foi anunciada.
Kay Krafft, CEO da Bertelsmann Education, assumirá a presidência do conselho de administração. Já Virgilio Gibbon, atual CEO da Afya, ficará à frente da operação combinada.
Rossano Leandro, hoje CEO da Yduqs, passará a liderar a divisão de ensino superior, excetuando as operações de medicina.
A fusão acelera uma transformação estratégica já em curso na Yduqs, que há anos vem ampliando sua exposição a cursos de maior valor agregado.
Atualmente, as unidades premium da companhia, como Ibmec e Idomed, respondem por cerca de 32% da receita. Com a incorporação da Afya, essa participação deverá subir para 55%, tornando a educação médica o principal motor de crescimento do grupo.
A medicina é considerada uma das áreas mais rentáveis e resilientes do ensino superior privado. Na Idomed, braço médico da Yduqs, o tíquete médio dos alunos veteranos superou R$ 13 mil no primeiro semestre deste ano, muito acima da média dos demais cursos presenciais da companhia.
A operação também amplia significativamente a escala das empresas no setor. Juntas, Afya e Yduqs terão cerca de 38 mil estudantes de medicina, quase 5,9 mil vagas anuais no curso e uma rede formada por 176 campi distribuídos em 26 estados.
Além da graduação, a nova companhia pretende acelerar investimentos em educação continuada e soluções tecnológicas para profissionais da saúde.
A Afya encerrou junho com mais de 56 mil alunos ativos em programas de pós-graduação, preparação para residência médica e cursos de especialização. A empresa também desenvolveu uma plataforma de serviços digitais voltada à prática médica, que inclui ferramentas de apoio à decisão clínica e recursos baseados em inteligência artificial.
A combinação desses ativos é vista pelas empresas como uma das principais alavancas de crescimento para os próximos anos.
A fusão com a Afya é mais um capítulo na estratégia de expansão da Yduqs por meio de grandes aquisições.
Em 2019, a companhia comprou a Adtalem Brasil, controladora do Ibmec, em uma operação de R$ 1,92 bilhão. Antes disso, chegou a anunciar uma fusão com a Kroton, atual Cogna, em um negócio avaliado em R$ 5,5 bilhões, mas a transação acabou sendo barrada pelo Cade.
Agora, ao unir sua operação à da Afya, a Yduqs aposta na consolidação do mercado de educação médica para criar uma das maiores plataformas de ensino superior do país, com presença ampliada nos segmentos de medicina, pós-graduação e tecnologia aplicada à saúde.